Filme de Jacob Gorender mostra os bastidores de ações criminosas dos movimentos revolucionários na ditadura João Campos - Da Secretaria de Comunicação da UnB As barbáries que mancharam de sangue os obscuros anos de chumbo da política brasileira (1964–1985) não ficaram restritas aos militares. O chamado movimento revolucionário, comandado pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB), também teve participação em episódios criminosos ainda pouco explorados na história da ditadura militar. No documentário A Esquerda Revelada, lançado nesta quinta-feira, 8 de outubro, na Universidade de Brasília, o historiador Jacob Gorender revela uma faceta da esquerda bem diferente daquela ligada à imagem de “heróis”, como Che Guevara. “Atentados terroristas, seqüestros, assaltos a bancos estavam entre as estratégias dos partidos e facções de esquerda para implantar o comunismo no Brasil entre as décadas de 1960 e 1970”, comentou Gorender no vídeo produzido pela TV Câmara. O episódio que marca o início da luta armada no regime ditatorial ocorreu em 25 de julho de 1966. A explosão de uma bomba no saguão do Aeroporto Guararapes, em Recife, matou duas pessoas - Edson Régis de Carvalho e Nelson Gomes Fernandes - e feriu outras 13. O alvo do atentado, no entanto, era o então presidente e marechal Costa e Silva. Ex-membro do chamado “partidão”, Gorender dá detalhes das ações do PCdoB e outras facções dissidentes na luta pelo comunismo no Brasil. “Já no início dos anos 1970, o movimento perdeu força e prestígio popular. Na clandestinidade, os assaltos a bancos viraram prática comum para conseguir dinheiro e manter a luta”, contou. De 1970 a 1972, o pesquisador foi preso e torturado por membros do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), entre eles o delegado Sérgio Fleury. “A opção pela luta armada representou o começo do fim de um movimento que não tinha sustentação”. Jacob ressalta ainda a série de seqüestros de autoridades estrangeiras para negociar a libertação de prisioneiros. Como o do embaixador norte-americano Charles Elbrick, que passou quatro dias em cativeiro em 1969 e acabou trocado por 15 presos políticos, entre eles o ex-chefe da Casa Civil do governo Lula, José Dirceu. Fora os “justiçamentos”, episódios marcados pelo fuzilamento de quatro militantes tidos como traidores, entre 1972 e 1973. “Não havia provas de que eles realmente tivessem traído o movimento”, comentou Jacob, que se dedicou a estudar o período depois de libertado. REPRESSÃO - O auge da luta armada ocorreu com o Ato Institucional (AI) nº 5, decretado por Costa e Silva, em dezembro de 1968. O documento representou a subversão da Constituição brasileira, dando poderes ainda mais extremos aos militares instalados no poder desde 1964. Um dos desdobramentos imediatos do AI-5 foi a inviabilização dos partidos e organizações de esquerda. A oposição foi praticamente extinta. O Congresso, fechado. A imprensa, amordaçada. Centenas de pessoas foram presas e torturadas. A partir daí, a esquerda se organizou para reagir de forma violenta. Ex-membro do PCdoB e convidado para o debate realizado após a exibição do filme, Arildo Dória ressalta que o sentimento de paixão exacerbado foi o motor e o calcanhar de Aquiles do movimento revolucionário brasileiro. “O partido apenas reproduzia a cartilha que vinha da União Soviética, que não cabia ao modelo daqui. A maioria estava ali pelo coração. Não havia razão. E foi a pressa de fazer a mudança, principalmente pela escolha da luta armada, que provocou a decadência do movimento”, comentou ele, diante do anfiteatro 9 da UnB cheio. Apesar da crítica, Arildo, que hoje é membro do Partido Popular Socialista (PPS), ressalta a importância que o movimento teve na história política do país. “A luta representou a chegada de uma idéia e um desejo intenso de mudança a diversas camadas da sociedade e, principalmente, ao Estado. Se isso ainda hoje repercute nos debates, imagina naquele contexto”, disse. Para o ex-membro do partidão, é preciso remexer a história para esclarecer os fatos. “Tanto a ação dos militares como dos combatentes deixaram famílias órfãs que, de alguma, precisam ser recompensadas”, afirmou. 
sábado, 10 de outubro de 2009
Historiador revela ações da esquerda nos Anos de Chumbo
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